O único critério que tenho para música é: gostei, não gostei. Se gostei, ponho num CD ou no ipod e saio cantando. Do contrário, não me esforço nem um tiquinho para “aprender a gostar”. E desse modo eu acabo nem me importando (muito) quando viajo com meus irmãos e tenho que escutar Gino e Geno. De todas as minhas lacunas culturais, certamente a musical se sobressai. E não é que eu seja orgulhoso disso, tanto que fiquei um bocado animado com a discussão que está rolando na Slate. Alex Ross, crítico de música da The New Yorker, e Ben Ratliff, seu colega do NYT, estão trocando cartas sobre como eu -- e você, leitor, que também tem péssimo gosto pra música – posso consertar (concertar?) minhas preferências musicais. Ainda não saiu uma super dica, mas vale acompanhar.
Nelson Ascher, em sua coluna de ontem, também falou de música. Resumindo, disse: você gosta de Pearl Jam, Madonna ou Fat Boy Slim, você é um idiota. Ou também: não é porque eu e uma mullah terrorista gostamos da mesma banda que ela vai deixar de tentar me explodir. Money quote:
Não há como negá-lo: a possibilidade de que uma canção, uma banda, um gênero alcancem parcela significativa da humanidade implica um nivelamento por baixo, ou seja, quanto mais ouvintes, maior a homogeneidade, menor a complexidade. Se há inúmeros cantores, instrumentistas e compositores, é apenas porque o prêmio é imenso, um prêmio que poucos conquistarão. O grosso do que se ouve no mundo inteiro é produzido por poucas dezenas de criadores afortunados que, a rigor intercambiáveis, devem muito de seu sucesso à sorte e ao acaso.
Recent Comments